sábado, 26 de junho de 2010

Destinadas ao Sofrimento?

Não é fácil entender o universo feminino. Até para as próprias mulheres isso pode ser dificílimo. Mas para argumentar, é necessário entender até que ponto alguns comportamentos são gerados por conseqüências físicas. Para isso, decidi fazer uma pesquisa sobre as questões de saúde, e quando estava lendo sobre a TPM, me deparei com uma frase assustadora: “sintomas físicos e psicológicos que podem ser tão severos que interfiram significativamente na vida da mulher”. O que pode se tudo isso?

Tensão Pré-Menstrual;
Para os homens: Temporada Proibida para Machos

Ao ler que a TPM é um distúrbio neuropsicoendócrino, fico, na minha possibilidade de jornalista, tentando traduzir o que isso significa. Talvez não seja tão difícil: levando em consideração que ‘neuro’ está relacionado aos estudos do sistema nervoso, cérebro etc, o ‘psico’ aos estudos de comportamento e o ‘endócrino’ relacionado às glândulas produtoras de hormônio, percebemos que a TPM está envolvida num conjunto grande de coisas.

Se isso é fato, não é pouca coisa que acontece. Em se tratando de sintomas físicos, o mais comum, creio eu pela minha experiência como mulher, é a sensibilidade das mamas. Em algumas mais, em outras menos, aquilo que parece ser tão desejável aos homens num lindo decote, é para nós um fardo, em tempo de ser arrancado. Dor de cabeça nem se fala... Para completar, sempre acontece aquela retenção de líquido, e do nada engordamos três quilos. Ainda assim, os problemas físicos não chegam nem perto dos problemas psicológicos, que trazem para nós um cansaço interminável, uma ansiedade terrível com muitas alterações de humor, incluindo muita raiva e até depressão.



Essas coisas simplesmente fogem ao nosso alcance. Não dá pra escolher se quer ou não que aconteça, e por isso é meio difícil que sem algum tipo de tratamento a mulher pare de desenvolver esses sintomas. É claro que algumas felizardas simplesmente não sentem nada disso, mas são minoria. Mesmo assim, algumas medidas podem ser de grande ajuda, e são aquelas que todo mundo já sabe, mas que poucas conseguem fazer: exercícios físicos regulares, alimentação saudável e um grande, enorme, treinamento cerebral, tentando não se entregar à tristeza ocupando a cabeça com diversas atividades...




Menopausa e Climatério

Como se não bastasse a vida inteira ter os vários sintomas da TPM mensalmente, ainda existe uma coisa muito pior: a última menstruação da mulher, mais conhecida por todos nós como a menopausa. Poderia ser até uma coisa feliz, do tipo “Meu Deus, que bom, nunca mais vou menstruar, nunca mais vou sangrar, que maravilha!”, mas não é assim que a coisa funciona.

A menopausa vai chegando com o climatério, que é justamente a passagem do período fértil para um não-fértil, ou nunca mais fértil. Ele tem duas fases, uma um pouco antes da última menstruação e outra depois dela. Essa síndrome toda não podia passar em branco, os sintomas são muito piores do que uma TPM aguda: ondas de calor com muita transpiração que podem ser extremamente desagradáveis, alterações de humor que podem levar a séria depressão e até perda de memória, diminuição do desejo sexual, aumento do risco de ter doenças cardiovasculares, e até osteoporose, a doença que diminui a massa óssea tornando os ossos frágeis e propensos a fraturas.


O que sobra para uma mulher na vida?

Se as mulheres passam por isso a vida inteira, é difícil acreditar que qualquer mulher possa ser feliz em tempo integral. Na verdade, no mundo que estamos hoje, cheio de violência, falta de amor e de afeição natural, ninguém vive com cem por cento de tranqüilidade e felicidade. Mas não podemos deixar de confirmar que a maioria das mulheres são injustiçadas em todo decorrer da sua vida.

Desde pequenas somos educadas a tomar conta das coisas de casa pra mantê-la limpa, arrumada. Isso não é nada demais, todo mudo quer estar num lugar limpo, cheiroso, agradável. Mas quando casam, muitas são obrigadas a tomar essa parte sozinhas.

É a realidade das mulheres de periferia: os maridos saem, vão jogar, beber, se divertir, olhar as mulheres bonitas, e quando voltam querem comida, roupa lavada e dormir. Se algumas querem desabafar algum problema, tem que falar com a vizinha. A mulher de dentro de casa não presta, a que presta é a fulana que ele conheceu no trabalho, porque ela é livre, é inteligente, não tem frescura, problema...

As vezes as mulheres podem dar a melhor criação aos seus filhos, mas o que recebem não é o que dão. Acontece que depois de velha, quando nunca teve tempo de cuidar de si mesma e perto da morte é que vai começar, pois é quando começam a aparecer os piores problemas de saúde, muitas mulheres ainda tem que voltar a cuidar dos filhos que dão prejuízo: alcoólatras, com câncer contraído pelo cigarro, acidente de carro por imprudência...

Tá na cara: é muito mais fácil ser homem. Quem me dera ser tachada de sexo mais forte só por ter mais massa muscular... seria tudo muito mais fácil. Mulheres: este mundo não vai melhorar... pensem mais em si mesmas, não se entreguem tanto sem ter certeza, pensem bem, nem sempre vale a pena ter filhos... pode ser uma posição totalmente fria e calculista, mas não deixa de ser realista.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sempre suja!



É difícil conseguir se acostumar com o contraste que vemos em Salvador. Oriundos da capital do Estado da Bahia, o que ouvimos em outros estados quando vamos a eles e respondemos de onde somos é: "Salvador? ô terra boa!". Terra boa, sim, pode-se concordar em termos de beleza e cultura. Mas uma terra não tão bem cuidada pela sua população.

A quantidade de lixo nas principais estações de transporte da cidade, além das passarelas e praias, é uma coisa absurda. Não dá para aceitar que na estação iguatemi possa haver tanto lixo no chão perto de uma lixeira. Papéis de guloseimas, panfletos propagandísticos de empresas próximas ao local e até resíduos de alimentos vendidos por ambulantes instalados ali transformam o local num aspecto insalubre, e nos dá a sensação de estarmos mergulhando num rio de lixo. Mesmo assim, não parece que muita gente está incomodada.


Mesmo não fazendo parte dos concernidos a que Jürgen Habermas se refere, e que validam determinado discurso sobre certo assunto (nesse caso a discussão "jogar lixo no chão é uma questão cultural ou não?"), acredito que essa prática está enraizada na nossa sociedade baiana pela falta de maior esclarecimento sobre os riscos envolvidos na grande quantidade de lixo no chão. Em resumo, grande parte das pessoas talvez não reflita ou não possua nenhum conhecimento de que a proliferação do lixo em locais de moradia ou grande movimento de pessoas pode trazer grandes prejuízos à cidade, principalmente em épocas de chuva, quando as pessoas estão muito mais vulneráveis às doenças. Talvez os nossos jornais estejam espetacularizando o fenômeno de alagamentos, engarrafamentos e doenças em Salvador na época das chuvas, e esqueçam de ressaltar o grande colaborador para tudo isso, o lixo jogado no chão.

O jornal da reportagem abaixo fez uma teste em sete capitais brasileiras: os garis pararam de limpar um trecho de 1km em cada cidade, no horário comercial de um dia útil numa avenida movimentada. De todas, Salvador, que também foi campeã de sujeira nas praias em reportagem anterior a essa, foi a vencedora da sujeira em ambiente urbano. Nada bom...

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